Tuesday, August 21, 2018

Estar ou não estar pronta


“It’s a terrible thing, I think, in life to wait until you’re ready. I have this feeling now that actually no one is ever ready to do anything. There is almost no such thing as ready. There is only now. And you may as well do it now. Generally speaking, now is as good a time as any.” –Hugh Laurie
Dando uma olhada em uma lista de tópicos para escrita, me deparei com essa frase e mais uma, que falava sobre o mito da fênix, perguntando: o que você está fazendo hoje para se levantar das cinzas? Achei interessante, porque me dei conta de que não me sinto nas cinzas, e na verdade acho que me senti nas cinzas bem poucas vezes na vida. Olhando para trás, parece que eu vivi minha vida inteira naquele momento entre a paz da estabilidade e a paz da destruição - como se minha vida estivesse sempre em chamas, sempre em um ponto misterioso em que a destruição talvez fosse reversível, mas talvez não. Também é assim que me sinto nesse agosto de 2018. É assustador mas é bonito.

Não sei se é porque sou neurótica, ou se é porque fico constantemente me colocando em posições desconfortáveis (desconfortáveis sob alguns pontos de vista e não outros - mas enfim). Provavelmente as duas coisas. O fato é que 2018 está sendo um ano muito difícil para muita gente, mas não para mim. Estou passando por muitas transições, mas me sinto preparada para enfrentá-las. Sinto que estou dosando com mais consciência as fogueiras que vou pular (heh), com certeza consequência do meu período de cinzas do ano passado. Mesmo sem uma estabilidade total, me sinto forte o suficiente para aceitar um desafio após o outro, o principal e maior de todos sendo a busca por excelência e consistência no novo emprego na nova cidade. Além disso, esse ano, adotei a minha cachorra Mel, comecei a fazer terapia cognitivo-comportamental individual semanalmente, comecei aulas de violino para revisar a técnica, comecei uma reeducação alimentar, e claro, reativei o blog. Todas essas foram decisões que eu debati internamente por muito tempo, julgando não ser a hora certa para começar. 

Com certeza eu precisava de um tempo para descansar de toda a loucura dos últimos anos, mas o medo de me acomodar e o tédio me cutucavam, fazendo listas, traçando planos, desenrolando sonhos-acordados. Essas coisas, mais a influência de amigos e amores maravilhosamente inquietos, me fizeram voltar para esse lugar de mudança. Então aqui estou eu, com algumas penas bem chamuscadas, mas quase pronta pra pegar fogo todinha de novo🔥🔥🔥

A quem interessar, aqui está a lista de journal topics da Kati Morton: https://www.katimorton.com/journal-topics-from-videos/

Tuesday, August 14, 2018

Reformas

Reformar, redecorar, rearranjar... É ótimo, depois de pronto. Mas o processo...

Ontem, mandei desmontar um dos armários embutidos da casa, e um armário aéreo do outro quarto. Esses armários tinham sido um dos motivos de eu alugar essa casa. A casa em que cresci tem vários armários embutidos, eles decoram e aproveitam muito bem o espaço de um quarto e realmente são a melhor opção. O que os donos do apê não me contaram foi do grave problema de cupim que os acomete (acometia? Acomete ainda as madeiras despedaçadas). Tiveram que ser desmontados. Retirados, se revelou que tinham sido construídos em quartos de outra época - outro piso, outro rodapé, papel de parede... Ou seja, para mim, mais tempo e mais trabalho à vista até se concretizar o meu tão-sonhado estúdio (ahem, inventado anteontem... Mas vocês não fazem ideia de quanto tempo eu gasto sonhando acordada).

Olha pra esse papel de parede!


Não que eu não soubesse que teria trabalho aqui - o outro quarto também precisa de uma pintura pra ontem, isso eu já sabia antes de me mudar e aceitei. Mas encarar esse trabalho de fato, de frente, é outro tipo de sensação. Dá preguiça, óbvio, mas também me faz mais consciente da minha solidão. Se eu tivesse outra pessoa dividindo a casa comigo, como uma família, teria duas cabeças pra resolver as coisas, dois telefones pra fazer orçamento, duas opiniões pra discutir. Acho que essa fase, de decidir tudo, traçar o caminho, é a parte mais cansativa; a partir do momento que eu tiver um passo a passo definido, vai ser até divertido. Daqui a pouco estou com lixas e rodo na mão.

Saturday, August 11, 2018

Criando hábitos melhores, parte 1

Minha última semana foi um tanto ocupada em elucubrações. Me prestei a dois desafios pessoais: uma reeducação alimentar e uma reciclagem da minha técnica de violino.

"Comprometimento" é uma palavra já tão batida, no meu círculo de classe média, que não parece ter um sentido real para o presente. Parece ser uma palavra boa para descrever uma mentalidade retroativamente, depois que os resultados aparecem. O que acho que está acontecendo é que eu compreendi a necessidade de manter a mente e o corpo sãos para manter o que eu tenho de bom nesse momento, e não me deixar sucumbir a processos autodestrutivos e à autossabotagem, como eu tantas vezes fiz no passado. Há muita coisa para "consertar", mas cada uma dá trabalho e demora. Por enquanto, baby steps.

Acho que escolhi justo essas duas áreas da minha vida porque preciso resgatar partes de mim que foram sufocadas durante um período intenso de estudo. Nos seis anos da pós-graduação, engordei 10 kg, entre problemas com falta de rotina, comer porcarias por conveniência e/ou depressão, e compulsão alimentar por estresse e ansiedade. Também desaprendi a gostar de tocar violino, tanto por influências negativas externas como pelos meus próprios vícios na leitura da realidade, a ponto de perder habilidades que eu tinha aprendido em anos anteriores. Entre todas as coisas que preciso resgatar (ou aprender), a saúde e a paixão são as mais importantes. Espero que consiga manter essa mentalidade por tempo suficiente para ver o progresso acontecer.