Tuesday, September 18, 2018

Ativei minha conta no Instagram e esqueci dela.

Sentei aqui e comecei a pensar na minha relação com as redes sociais. Honestamente não sei bem o que sinto sobre esse assunto. (É pra isso que escreve, né?) Nunca gostei muito de postar fotos, ou mesmo opiniões muito abertamente em redes sociais. Às vezes posto ou compartilho, mas é mais pra dar um sinal de vida do que porque eu realmente sinto vontade. Minha sensação é de que para ter os supostos benefícios do uso de redes sociais eu precisaria externalizar uma "persona" coerente. Só que eu não tenho uma personalidade una, realmente coerente, nem mesmo no meu dia-a-dia. Fabricar uma só pra internet então, parece um trabalhão, e eu não estou disposta.

Essa reflexão veio da minha falta de vontade (desde semana passada, ahem) de escrever algo aqui. Eu esperava que algumas coisas acontecessem, vide último post, que acabaram não acontecendo, e agora parece que estou nesse hiato aí. Esperando a roda voltar a girar. Aí pensei, vou fazer um post "normal", daqueles bestas de Facebook. E me dei conta de que não sei. Penso demais no que agradaria o meu suposto público, e como é difícil definir esse público, já que de forma geral eu escrevo mais pra mim mesma mesmo. Eu até me considero feliz, mas acho difícil externalizar na internet as minhas alegrias mundanas. Às vezes, parece besta; às vezes sinto que vai parecer que estou me gabando. Quase sempre, sinto que não quero esse (ou nenhum) tipo de atenção das pessoas, não quero que elas saibam, sei lá. Informação é poder, né? Mas poder sobre o quê, mesmo?

De qualquer forma, chega de filosofia barata: toma aí uma foto da minha véia Mel sendo linda.



Wednesday, September 5, 2018

Desatenção

Marquei horário no psiquiatra pra semana que vem, para avaliar meu TDAH, depois de me enrolar um pouco. Estava falando com um amigo sobre isso - pensar em marcar a consulta me dava uma agonia, uma ansiedade. No fundo, o que eu quero é que o médico me diga que eu não preciso de remédios para me concentrar; queria que ele me desse alguma solução natural milagrosa, daquelas que você nunca tinha ouvido falar mas que parece óbvia depois de dita (tipo exercício, cortar cafeína, coisas assim). Porém, eu sei que isso não vai acontecer. Contar toda a situação atual para um psiquiatra com certeza vai levar a uma receita - no máximo, um pedido de alguns exames para confirmar o que já está claro clinicamente.

Ainda estou em processo de aceitação. Pelo que estou lendo e pesquisando, minha situação parece bem comum; muita gente com TDAH funcional sente necessidade de começar ou modificar o tratamento após certas mudanças de vida, o início de um emprego mais desafiador sendo uma das mudanças mais comuns. Uma parte de mim ainda sofre com o estigma, com uma moralização do problema. Se eu consigo me concentrar em certas coisas, por que não consigo em outras? Talvez seja mesmo preguiça, desinteresse, pouca tolerância à frustração... Quem sabe me falta talento, pura e simplesmente? Quem sabe eu tenha realmente chegado no meu limite. Pode até ser. Mas acho que não vou saber de fato até tentar tratar com a medicação, algo que influenciaria de fora para dentro. Sei lá. Me desejem sorte. Acredito que o próximo post vá falar dessa consulta.

Tuesday, August 21, 2018

Estar ou não estar pronta


“It’s a terrible thing, I think, in life to wait until you’re ready. I have this feeling now that actually no one is ever ready to do anything. There is almost no such thing as ready. There is only now. And you may as well do it now. Generally speaking, now is as good a time as any.” –Hugh Laurie
Dando uma olhada em uma lista de tópicos para escrita, me deparei com essa frase e mais uma, que falava sobre o mito da fênix, perguntando: o que você está fazendo hoje para se levantar das cinzas? Achei interessante, porque me dei conta de que não me sinto nas cinzas, e na verdade acho que me senti nas cinzas bem poucas vezes na vida. Olhando para trás, parece que eu vivi minha vida inteira naquele momento entre a paz da estabilidade e a paz da destruição - como se minha vida estivesse sempre em chamas, sempre em um ponto misterioso em que a destruição talvez fosse reversível, mas talvez não. Também é assim que me sinto nesse agosto de 2018. É assustador mas é bonito.

Não sei se é porque sou neurótica, ou se é porque fico constantemente me colocando em posições desconfortáveis (desconfortáveis sob alguns pontos de vista e não outros - mas enfim). Provavelmente as duas coisas. O fato é que 2018 está sendo um ano muito difícil para muita gente, mas não para mim. Estou passando por muitas transições, mas me sinto preparada para enfrentá-las. Sinto que estou dosando com mais consciência as fogueiras que vou pular (heh), com certeza consequência do meu período de cinzas do ano passado. Mesmo sem uma estabilidade total, me sinto forte o suficiente para aceitar um desafio após o outro, o principal e maior de todos sendo a busca por excelência e consistência no novo emprego na nova cidade. Além disso, esse ano, adotei a minha cachorra Mel, comecei a fazer terapia cognitivo-comportamental individual semanalmente, comecei aulas de violino para revisar a técnica, comecei uma reeducação alimentar, e claro, reativei o blog. Todas essas foram decisões que eu debati internamente por muito tempo, julgando não ser a hora certa para começar. 

Com certeza eu precisava de um tempo para descansar de toda a loucura dos últimos anos, mas o medo de me acomodar e o tédio me cutucavam, fazendo listas, traçando planos, desenrolando sonhos-acordados. Essas coisas, mais a influência de amigos e amores maravilhosamente inquietos, me fizeram voltar para esse lugar de mudança. Então aqui estou eu, com algumas penas bem chamuscadas, mas quase pronta pra pegar fogo todinha de novo🔥🔥🔥

A quem interessar, aqui está a lista de journal topics da Kati Morton: https://www.katimorton.com/journal-topics-from-videos/

Tuesday, August 14, 2018

Reformas

Reformar, redecorar, rearranjar... É ótimo, depois de pronto. Mas o processo...

Ontem, mandei desmontar um dos armários embutidos da casa, e um armário aéreo do outro quarto. Esses armários tinham sido um dos motivos de eu alugar essa casa. A casa em que cresci tem vários armários embutidos, eles decoram e aproveitam muito bem o espaço de um quarto e realmente são a melhor opção. O que os donos do apê não me contaram foi do grave problema de cupim que os acomete (acometia? Acomete ainda as madeiras despedaçadas). Tiveram que ser desmontados. Retirados, se revelou que tinham sido construídos em quartos de outra época - outro piso, outro rodapé, papel de parede... Ou seja, para mim, mais tempo e mais trabalho à vista até se concretizar o meu tão-sonhado estúdio (ahem, inventado anteontem... Mas vocês não fazem ideia de quanto tempo eu gasto sonhando acordada).

Olha pra esse papel de parede!


Não que eu não soubesse que teria trabalho aqui - o outro quarto também precisa de uma pintura pra ontem, isso eu já sabia antes de me mudar e aceitei. Mas encarar esse trabalho de fato, de frente, é outro tipo de sensação. Dá preguiça, óbvio, mas também me faz mais consciente da minha solidão. Se eu tivesse outra pessoa dividindo a casa comigo, como uma família, teria duas cabeças pra resolver as coisas, dois telefones pra fazer orçamento, duas opiniões pra discutir. Acho que essa fase, de decidir tudo, traçar o caminho, é a parte mais cansativa; a partir do momento que eu tiver um passo a passo definido, vai ser até divertido. Daqui a pouco estou com lixas e rodo na mão.

Saturday, August 11, 2018

Criando hábitos melhores, parte 1

Minha última semana foi um tanto ocupada em elucubrações. Me prestei a dois desafios pessoais: uma reeducação alimentar e uma reciclagem da minha técnica de violino.

"Comprometimento" é uma palavra já tão batida, no meu círculo de classe média, que não parece ter um sentido real para o presente. Parece ser uma palavra boa para descrever uma mentalidade retroativamente, depois que os resultados aparecem. O que acho que está acontecendo é que eu compreendi a necessidade de manter a mente e o corpo sãos para manter o que eu tenho de bom nesse momento, e não me deixar sucumbir a processos autodestrutivos e à autossabotagem, como eu tantas vezes fiz no passado. Há muita coisa para "consertar", mas cada uma dá trabalho e demora. Por enquanto, baby steps.

Acho que escolhi justo essas duas áreas da minha vida porque preciso resgatar partes de mim que foram sufocadas durante um período intenso de estudo. Nos seis anos da pós-graduação, engordei 10 kg, entre problemas com falta de rotina, comer porcarias por conveniência e/ou depressão, e compulsão alimentar por estresse e ansiedade. Também desaprendi a gostar de tocar violino, tanto por influências negativas externas como pelos meus próprios vícios na leitura da realidade, a ponto de perder habilidades que eu tinha aprendido em anos anteriores. Entre todas as coisas que preciso resgatar (ou aprender), a saúde e a paixão são as mais importantes. Espero que consiga manter essa mentalidade por tempo suficiente para ver o progresso acontecer.

Tuesday, July 31, 2018

O título deste blog, ou palavras-chave da vida

Não me lembro em que contexto batizei esse blog, mas lembro duas coisas: que essa não era minha primeira opção de título, e que eu não sabia tanto inglês quanto sei hoje. Mas acho que foi boa fortuna. Passa um tempo e a gente nem pensa mais no significado das palavras, ainda mais quando as vê com frequência. Até que resolvi reativar o blog, então pensei.

Unclasping traduziria melhor como "desagarrar" (bem diferente de "desabotoando", que virou a tradução do título por falta de tradução melhor).










Não é de hoje que acho interessante ter uma palavra-chave como guia para meus objetivos de vida, e acho que a palavra unclasping tem muito significado para mim agora. Estou tentando me desgarrar de medos e condicionamentos do passado. Descolar as ideias fixas. Ser mais livre.

Você que lê esse post, também já teve palavras-chave na vida?


Wednesday, July 25, 2018

Como tornar-me quem eu sou


Com quase 30 anos, ainda tenho problemas entendendo minha "posição" no mundo. Ou, melhor dizendo, aceitando uma posição. Isso é um problema porque eu posso ver e analisar muito claramente, de uma forma quase obsessiva, as caixinhas a que cada pessoa pertence.

Eu cresci sendo vocal e assertiva, seja através da palavra, seja através de atitudes e símbolos. Porém, quando comecei minha vida acadêmica, não sei por quê, decidi que devia ser uma mulher séria. Assim, durante a faculdade e pós graduação, e talvez por causa do trabalho como professora que eu fiz nesses anos, eu adotei uma postura cada vez mais feminina, cuidadora, delicada, "padrão". Muito embora eu não me veja assim internamente, é assim que as pessoas parecem me ver - e eu não lutei para contradizê-las, pois assim me era conveniente. Não foi um processo inteiramente consciente, mas uma adaptação a um contexto de mudança constante. Hoje, tendo outro foco e mais tempo para refletir, percebo conflitos na minha percepção de mim mesma que estavam há muito adormecidos.

Sei bem que pessoas são complexas e ninguém realmente cabe em todas as caixinhas. Mas saber disso não ajuda de fato a melhorar esse desconforto que venho sentindo mais profundamente em relação à minha identidade, principalmente em relação ao aspecto masculino versus feminino. Forçosamente, aprendi a não demostrar estranhamento quando se referencia minha expressão feminina - o "quão atraente" eu sou, especialmente, mas também outras características esteriotipicamente femininas que eu demonstro. Porém, não me sinto confortável quando essas características são apontadas. Pra deixar bem claro, não estou falando de situações de assédio; o caso é que simplesmente não me identifico com a feminilidade. Não sou transgênero, mas sinto que nunca vou me adaptar a ser mulher. Acho que o que eu quero dizer é - não quero ser homem, mas quero ser mais do que mulher. Ou (possivelmente) quero que as mulheres sejam mais do que são aos olhos da sociedade. Olhando para dentro vejo dois personagens conflitantes - um deles esperançoso e empenhado pela (r)evolução feminista; o outro, querendo preguiçosamente seguir o fluxo.

Meu lado egocêntrico é tipo a Rain Dove falando sobre "capitalismo de gênero" 


Meio de julho, durante a minha viagem, raspei o cabelo dos lados da cabeça, o dito sideshave. Fiz inspirada na Lagertha de Vikings (que faz trancinhas, eu sei, mas quem me conhece sabe que eu jamais teria saco pra viver fazendo um penteado tão minucioso). Foi interessante perceber, na minha volta para casa, que o olhar das pessoas mudou, ainda que ligeiramente. Tive vagas lembranças da forma que eu era encarada na adolescência, quando usava roupas e cabelos fora do padrão. As pessoas não me olhavam mais com doçura, mas com uma expressão mais neutra, alguns até com um certo espanto. Me senti mais vulnerável, mas ao mesmo tempo mais poderosa. Curti. Agora acho que tenho que trilhar esse caminho aí, e atualizar as definições de mim.

Essa reavaliação que preciso fazer para revitalizar a "mulher séria" que artificialmente me tornei talvez passe por um resgate de quem eu já fui quando criança, quando essas questões de reputação não eram importantes, e quando adolescente quando eu era mais corajosa. Há que equilibrar essa essência passada com as coisas boas que aprendi desde então - ou quem eu sou agora - e também olhar com mais empatia para as pessoas que convivo, e passar as mensagens que eu realmente quero passar - ou quem eu quero me tornar.

Acredito que meu mal estar em relação a essa falta de controle sobre como os outros vão me ver, caso eu não me encaixe mais em certas caixinhas, é de que vou ter problemas *convencendo* as pessoas do meu lado feminino (o lado masculino já é problemático por causa dos genitais e coisa e tal). Estar fora das caixinhas gera trabalho para os outros; o trabalho de interpretar sinais e signos para um contexto específico, sem poder generalizar ou usar de generalizações. Muita gente não gosta de ter esse tipo de trabalho, e eu acredito que os preconceitos vem justamente daí, pelo menos em parte. Quem sabe quais e quantas barreiras podem surgir?

Já disse Vihart: ser queer dá tanto trabalho, por quê alguém faria isso? Porque para ela aquilo é realmente importante.


A parte difícil de absorver é que essa imagem "neutra" que eu me deixei mostrar também traz julgamentos, e com eles também diminuem as potencialidades de conexões e produções verdadeiras. Enfim, vamos à jornada.



Tuesday, July 3, 2018

introversão, autocentramento, e os microegoísmos do dia-a-dia

Essa retomada do blog começou em uma tarde de feriadão. Nesse dia lindo de inverno, meu hóspede traz uma amiga, outro amigo bate na porta pedindo pouso, o vizinho passa para tomar um café. Tudo ótimo, mas naquele dia foi demais.

Com todos na sala de estar, eu me fecho no quarto e começo a remoer meus sentimentos. Faço o exercício prescrito na terapia, analisando a cena de vários pontos de vista, tentando entender porque essa situação em que outras pessoas adorariam estar me deixou tão nervosa. De uma lista, tiro substantivos para descrever meu humor: cansada, frustrada, sobrecarregada, preocupada, raivosa. Na parte de empatia do exercício, onde eu devo tentar me colocar no lugar do outro, bloqueio. Só consigo pensar em quão injusto é que eles precisem de mim, mais uma vez, como mediadora - precisam que eu me faça pivô para que se guiem naquela situação estranha, de interação entre semi-desconhecidos em uma casa alheia. Sem mim como referência, não sabem como agir. Sempre que eu não sei como agir, penso que a culpa é minha. Quando os outros não sabem como agir, penso que a culpa é minha também. É pesado.

Nossa natureza humana nos ajuda, e em questão de horas nos adaptamos à situação. Alguém na sala tomou a liderança da situação e não estão mais todos em um silêncio desconfortável. Eu, ainda sozinha no quarto, estou mais próxima do meu centro, mas ainda preocupada. Me pergunto como melhorar a situação, a curto e longo prazo. Me parece tão difícil achar palavras que não vão ferir as pessoas - adoraria ficar com você, mas preciso ficar sozinha; preciso de espaço. O problema não é você como indivíduo, mas o esforço da interação. Não, interagir com você não é cansativo - qualquer interação parece cansativa às vezes, hoje é uma dessas vezes. Nem eu mesmo me convenço dessas palavras, lendo esse rascunho. Talvez eu mesma, se ouvisse isso de outra pessoa, pensaria que eu tenha feito algo errado. A palavra certa me vem, quando já não faz sentido. Minha esperança é o otimismo natural da raça humana para essas interações - de que tudo que não é excessivo se esquece e se perdoa. De qualquer forma, a convivência comigo é permeada de pequenas grosserias, de pequenos egoísmos, que apenas um grupo seleto de pessoas é capaz de realmente aceitar.

Monday, July 2, 2018

Mais um recomeço

Então.
Aqui estou novamente, agora para escrever em português.
Depois de viver quase 6 anos nos EUA, me acostumar com uma cultura acadêmica fria e competitiva, e enfrentar alguns problemas de saúde mental, eu sinto que tenho alguns problemas para me expressar. Vou tentar então escrever com alguma frequência aqui, para ver se desenvolvo isso.

Esse blog não terá assunto. Imagino que muitas vezes falarei de coisas complementares aos assuntos que discuto em terapia, mas também assuntos que me interessam. Vai depender do que eu estiver interessada e disposta naquela semana. Vai ter post bad vibe, mas vai ter post fofinho também.

A tentativa será de publicar um post a cada terça feira. Bem-vinda/o!