Essa retomada do blog começou em uma tarde de feriadão. Nesse dia lindo de inverno, meu hóspede traz uma amiga, outro amigo bate na porta pedindo pouso, o vizinho passa para tomar um café. Tudo ótimo, mas naquele dia foi demais.
Com todos na sala de estar, eu me fecho no quarto e começo a remoer meus sentimentos. Faço o exercício prescrito na terapia, analisando a cena de vários pontos de vista, tentando entender porque essa situação em que outras pessoas adorariam estar me deixou tão nervosa. De uma lista, tiro substantivos para descrever meu humor: cansada, frustrada, sobrecarregada, preocupada, raivosa. Na parte de empatia do exercício, onde eu devo tentar me colocar no lugar do outro, bloqueio. Só consigo pensar em quão injusto é que eles precisem de mim, mais uma vez, como mediadora - precisam que eu me faça pivô para que se guiem naquela situação estranha, de interação entre semi-desconhecidos em uma casa alheia. Sem mim como referência, não sabem como agir. Sempre que eu não sei como agir, penso que a culpa é minha. Quando os outros não sabem como agir, penso que a culpa é minha também. É pesado.
Nossa natureza humana nos ajuda, e em questão de horas nos adaptamos à situação. Alguém na sala tomou a liderança da situação e não estão mais todos em um silêncio desconfortável. Eu, ainda sozinha no quarto, estou mais próxima do meu centro, mas ainda preocupada. Me pergunto como melhorar a situação, a curto e longo prazo. Me parece tão difícil achar palavras que não vão ferir as pessoas - adoraria ficar com você, mas preciso ficar sozinha; preciso de espaço. O problema não é você como indivíduo, mas o esforço da interação. Não, interagir com você não é cansativo - qualquer interação parece cansativa às vezes, hoje é uma dessas vezes. Nem eu mesmo me convenço dessas palavras, lendo esse rascunho. Talvez eu mesma, se ouvisse isso de outra pessoa, pensaria que eu tenha feito algo errado. A palavra certa me vem, quando já não faz sentido. Minha esperança é o otimismo natural da raça humana para essas interações - de que tudo que não é excessivo se esquece e se perdoa. De qualquer forma, a convivência comigo é permeada de pequenas grosserias, de pequenos egoísmos, que apenas um grupo seleto de pessoas é capaz de realmente aceitar.
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